Livro Dez

OUTUBRO 2016
OUTUBRO 2016
INDICE
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INTRO 08 ZOOM 10 UM 16 DOIS 22 TRES 26 QUATRO 32 CINCO 38 SEIS 44 SETE 50 OITO 56 NOVE 62 DEZ 68 BIO 06
INTRO 08 ZOOM 10 UM 16 DOIS 22 TRES 26 QUATRO 32 CINCO 38 SEIS 44 SETE 50 OITO 56 NOVE 62 DEZ 68 BIO 06
INTRO
INTRO
UM FOTÓGRAFO METÓDICO UM FOTÓGRAFO COMPROMETIDO A fotografia em Carlos Oliveira Cruz (Lisboa, 1940) começa, ainda no ateliê, por um trabalho meticuloso de procura simultânea de temas a fotografar e de locais onde fotografar, só então partindo para o terreno sistematizados os projectos - para dar início aos enquadramentos, na busca de uma luz mágica e essencial que se traduzirá numa expressão plástica e estética com a sua marca pessoal e singular. Viveu, no tempo da ditadura, trinta e quatro anos em silêncio forçado, “anjo ancorado” nas redes da censura, olhando a liberdade através de uma janela entreaberta. Tentou sempre reorganizar esse caos com os amigos, com a presença insubstituível da mãe que lhe alimentaram a imaginação e também com a literatura, consumindo com voracidade Cardoso Pires, Sofia, Drumond, Manuel Bandeira, Alçada Baptista, Assis Pacheco, Vergílio Ferreira, O’Neil, Pessoa, e tantos outros; com a pintura, perseguindo as obras de Hogan, Palolo, Sá Nogueira, Nikias, Pomar, Relógio, Noronha da Costa, Escada, Costa Pinheiro, Guilherme Parente e outros tantos; com o cinema, no auge dos realizadores franceses e italianos, maravilhou-se, no Cinearte e no Jardim Cinema, com Chabrol, Godard, Truffaut, Resnais, Fellini, Antonioni, Pasolini, Visconti e ainda com Bergman, com Orson Welles e com John Ford. Concomitantemente, vamos encontrá-lo nesta Babel censurada, em grupos informais de intervenção cívica e cultural. A fotografia, essa, dominou-o anos mais tarde, já depois de quebrado o silêncio, rasgadas as mordaças, enclausuradas as censuras e aberta a janela da liberdade. Escreve então dois livros de poemas; (1996) e (2006). Envolve-se, por fim, na paixão de poder partilhar com o público as descobertas que a sua sensibilidade visual capta e a câmara fotográfica fixa com emoção e serenidade, ampliado o olhar pela sua “velha” câmara analógica, mas também e agora com a sua “nova” objectiva digital. UM FOTÓGRAFO CRIATIVO Este desenvolvimento em projectos traduz-se, ao longo dos últimos dez anos, numa obra criativa aliciante onde se confirmam e destacam fundamentalmente: , com os rigorosos desenhos de salinas a branco de sal e azul de céu boticcelliano; , onde capta a brutal e esmagadora força do mar modelando as cordilheiras de penhascos e as catedrais de pedra adivinhadas; , recriando em exemplares fotografias as particularidades dos planos captados na desagregação de uma ruína mineira; , a memória enigmática de um lugar que se reflete na paisagem e nas recordações do autor, como uma longa viagem a esfumar-se na água e na luz diversa do dia; , desvendando com a objectiva, numa busca incessante, paisagens de pedra, verdadeiras esculturas, apresentadas neste trabalho com uma luz excepcional e única; , uma revelação, uma experiência assumida, um exercício inacabado de busca e recolha do momento a acontecer e onde, pela primeira vez, se revelam imagens de presença humana, sem que daí venha qualquer mal ao mundo. LUÍS MACARA SETEMBRO DE 2016
UM FOT  GRAFO MET  DICO  UM FOT  GRAFO COMPROMETIDO  A fotografia em Carlos Oliveira Cruz  Lisboa, 1940  come  a, ainda no...
ZOOM 08 ZOOM DEZ
ZOOM 08 ZOOM DEZ
UM Na minha memória de infância há imagens que perduram. Ao tempo, não sabia que as poderia focar e capturar ou registá-las para todo o sempre com uma máquina fotográfica. Mas já o desejava. A velha sala de aula, austera, persiste no meu imaginário com um registo bem detalhado: o seu relógio redondo de números e ponteiros desproporcionados, que marcavam a hora mais desejada da saída. Assim como a imagem da mó do moleiro rodando pesada, ajudada pela água brilhante do rio e a poalha da farinha que envolvia o moleiro. Só muito mais tarde descobri que podia captar essas imagens (memórias) para todo o sempre. Foi das maiores e mais felizes descobertas da minha vida. As fotografias são uma forma de aprisionar a realidade. O meu passado podia tornar-se presente. DOIS O que consta neste livro é fundamentalmente fotografia. Desse modo resultou numa economia de palavras e de textos. A imaginação que sempre ousei desenvolver conduziu-me a caminhos (projectos) que estão espelhados nos dez conjuntos de fotografias apresentadas. Foi uma selecção difícil. Muitos milhares ficaram num limbo, que periodicamente visitarei. A apresentação, nem sempre cronológica, reflecte o trajecto destes últimos dez anos em que escolhi este percurso. A diversidade foi sempre um dos meus pontos fortes. Uma das minhas tendências. Na escrita isso também se reflectia. Nos anos de censura, quando coordenava a página económica semanal do Diário Popular criei três heterónimos. Quando a censura cortava os textos dos convidados escolhidos, tinha de apresentar a página com escritos dos meus heterónimos, como fossem novos colaboradores. Dessa diversidade de projectos resulta uma exposição, que parece mais uma colectiva de fotógrafos convidados, do que a minha própria retrospectiva. Foi uma escolha. Podia ter mudado, retocado, melhorado. Mas optei por me mostrar como sou. TRES Nos últimos quatro anos, o lançamento de “A Pequena Galeria” revelou-se um desafio estimulante que me proporcionou o contacto com dezenas de “amantes” da fotografia e me permitiu a abertura a uma multiplicidade de visões, que tem constituído uma riqueza incomensurável para a minha actualização e criação de novos projectos. Nesta Associação, onde desejava ser apenas fotógrafo, passei a ter de desenvolver todas as funções que uma galeria exige. Fazer programação, curadoria, gestão o que não liberta tempo para o objectivo final que é fotografar. Focar-me nos espaços e nas cidades onde o acaso nos proporciona os momentos únicos que vale a pena escolher exige disponibilidade para essa procura interminável. Mais um desafio que tento superar. Como não agradecer, nesta nota final, aos amigos da “velha guarda” Jorge Cid e Luís Macara e à dedicação da Zé a palavra crítica e o apoio único que me deram ao longo desta minha “nova vida”? O meu melhor Zoom para todos os amigos. CARLOS OLIVEIRA CRUZ
UM Na minha mem  ria de inf  ncia h   imagens que perduram. Ao tempo, n  o sabia que as poderia focar e capturar ou regist...
UM 10 GEO METRIAS
UM 10 GEO METRIAS
DOIS 16 SUDOESTE
DOIS 16 SUDOESTE
TRES 22 CAIXAS SUBMERSAS
TRES 22 CAIXAS SUBMERSAS
QUATRO 26 ESCULTURAS ACIDENTAIS
QUATRO 26 ESCULTURAS ACIDENTAIS
CINCO 32 RUPTURAS
CINCO 32 RUPTURAS
SEIS 38 CASA VERMELHA
SEIS 38 CASA VERMELHA
SETE 44 A COR DAS VIAGENS
SETE 44 A COR DAS VIAGENS
OITO 50 INTERIORES
OITO 50 INTERIORES
NOVE 56 BASTID ORES
NOVE 56 BASTID ORES
DEZ 62 MODA PARIS
DEZ 62 MODA PARIS
BIO 68 CARLOS OLIVEIRA CRUZ
BIO 68 CARLOS OLIVEIRA CRUZ
FOTOGRAFIA EXPOSIÇÕES Carlos Oliveira Cruz nasceu em Lisboa em 1940 e é licenciado em Economia e Finanças pelo antigo ISCEF. 2006 «GEOmetrias» - Galeria 59 - Lisboa; «Variantes» - Livraria Galileu - Cascais; «A Cor das Viagens» - Galeria Monte Seis Reis Estremoz 2007 «Raízes» - Galeria IF - Lisboa; «Sudoeste» - Armazém 7 - Lisboa 2008 «Rupturas» - Fundação Medeiros de Almeida - Lisboa 2009 «A Casa Vermelha» - Casa das Artes - Tavira 2010 «Esculturas Acidentais» - Fundação Medeiros de Almeida - Lisboa 2013 «Interiores» e participação nas colectivas «Salão 1#» e «Salão Lisboa» - Pequena Galeria - Lisboa 2014 Co Curador da Exposição «Os fotógrafos da Pequena Galeria» em Agosto no Centro de Artes de Tavira. Participação em colectivas da Pequena Galeria, com o lançamento do projecto «Moda Paris». 2015 Participação na Colectiva «Mar e Terra», organizada no âmbito dos 30 anos do Centro de Artes de Tavira. «Bastidores» - Pequena Galeria - Lisboa. 2016 Co curadoria de várias exposições na “A Pequena Galeria”, designadamente na exposição de fotografia inglesa intitulada «The British are Coming». Fez o seu longo percurso profissional na área das finanças e da economia privada e pública, com breve passagem pela política governativa (nos inícios da democracia constitucional). A fotografia, como expressão plástica pessoal, atravessa transversalmente o seu percurso de vida, sem que, para além do círculo mais restrito dos amigos, a tenha mostrado ao grande público, o que o fez somente a partir de 2006. Foi ainda colunista e coordenador da página de economia do «Diário Popular» (anos sessenta, princípios de setenta), colaborou em «O Jornal» (antecessor da «Visão») e na «Sábado». Participou na obra colectiva de reflexão política «S.L. – Um país, um projecto» (Cadernos Critério, Outubro 1976). Desde 2008, colabora no blog da SEDES, com textos de intervenção política e social. Fez uma primeira edição artesanal dos seus poemas «Diário de uma Praia Deserta» em Agosto de 1996 e lançou, em edição mais alargada, o seu mais recente livro «No Reino das Palavras», em Janeiro de 2006. Colaborou na Revista “Egoísta”. Enquanto gestor coordenou, com o insuperável apoio do Eng.º Manuel Vaz, a Culturgest, no período 2000/2004 e foi membro do Júri do Concurso dos Jovens Artistas da Fidelidade.
FOTOGRAFIA  EXPOSI    ES  Carlos Oliveira Cruz nasceu em Lisboa em 1940 e    licenciado em Economia e Finan  as pelo antig...
DESIGN DIOGO CID BARRETO IMPRESSÃO XXX OUTUBRO 2016
DESIGN  DIOGO CID BARRETO  IMPRESS  O  XXX  OUTUBRO 2016